Até o momento, são mais de 25 mil pessoas que perderam tudo – casas, eletrodomésticos, memórias, documentos – e quase 800 mortos. Não vou começar, mais uma vez, a discussão sobre os culpados. É inútil, por se tratar de um círculo vicioso – as autoridades culpam a população, que constrói em áreas de risco não permitidas; a população culpa o governo, dizendo não ter condições nem subsídios para construir em outro lugar; a defesa civil, diz que tudo poderia ter sido previsto e os institutos meteorológicos dizem ter feito o alerta e ninguém teria se dado conta…
O tempo e a vontade política vão se encarregar de colocar a situação nos eixos. De repente, as autoridades chegaram à conclusão de que não podemos passar por isso de novo… Meu medo é só que o melhor comece a brigar com o bom, como de costume: é melhor fazer um plano nacional para alerta de desastres – o que levaria muito mais tempo e demandaria muito mais recursos – do que implantar planos regionais, mais rápidos, baratos e, dizem os técnicos, mais eficazes, já que entrariam em uso de imediato e poderiam fazer parte de uma rede nacional, no futuro…
Tudo isto é arrasador, deixa um gosto amargo na boca e uma pergunta solta no ar: por que somos solidários somente na desgraça? Pior, por que personalidades que deveriam dar o exemplo acabam utilizando a tragédia para aparecer na TV, compungidos, sem mexer um dedo em favor das vítimas?
Claro, há exceções. Petkovic, por exemplo, um dos pouquíssimos jogadores de futebol a se mobilizar e usar sua popularidade para angariar alimentos, artigos de higiene, um caminhão de doações e que na curtíssima entrevista que deu mostrou, pelo exemplo, que todos poderíamos fazer alguma coisa e que, por menos que fosse, seria uma ajuda.
Por outro lado, temos os exploradores de plantão. “Celebridades” cujo objetivo de vida é ter mais seguidores no twitter e que não mede esforços para usar o tema que estiver mais em evidência para seu próprio benefício.
A estes, meu sincero desejo de que prestem um pouco mais de atenção aos noticiários, percebam o sofrimento e desamparo dos vitimados e passem a fazer mais pelo seu próximo.

Desde a minha última entrada, já se passaram muitos meses. Temos novo presidente – ou presidenta. Ganhei um novo status – avô de um moleque bem humorado e bagunceiro, o Lucas. O mundo passou a ser mais WEB 2.0 e smartphone…
Algumas coisas, porém, continuam iguais. Chove em janeiro. As encontas descem, o lixo entope bueiros, as enchentes se sucedem.
Retomo este blog, com a consciência de que a “concorrência” é grande, mas vou encarar o desafio.
Estaremos aqui todas as semanas.
De preferência, comentando sobre o que há de bom no mundo.
Ainda…

Não dá para esquecer.
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Ontem, morreu Tânia, uma jovem portuguesa que aguardava, desde o ano passado, por um coração para transplante. Seu caso, graças à ação dos amigos, ultrapassou fronteiras, uniu pessoas que não se conheciam, gerou posts, fotos, campanhas. Mesmo assim, o coração não veio, sua condição foi gradualmente piorando até o desfecho em que nenhum de nós queria crer.
Um pouco mais de consciência, de generosidade, de compreensão, poderiam tê-la salvo. Porque não entendo o que leva uma pessoa a não permitir a doação de seus órgãos após a morte.
Apesar dos progressos, ainda há muito por fazer para aprimorar o processo de recolhimento de possíveis doações. Há, ainda, inúmeros casos de pessoas que desejam doar seus órgãos e não comunicam às suas famílias, demora no aviso às equipes encarregadas de recolher os órgãos, impossibilitando sua utilização e, principalmente, a própria recusa em si.
Deve ser o medo atávico de se ver ressuscitado faltando pedaços, no dia do Juízo Final…
Tânia tinha uma chance. Poderia ter sobrevivido, ao invés de morrer aos 26 anos de idade. Mesmo assim, não culpa ninguém, só agradece – é, ela escreveu uma mensagem para ser postada após sua morte.
E tinha razão: não precisamos ser a pior raça à face da terra. Basta um pouquinho mais de consciência e generosidade…

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Tenho que dar a mão à palmatória… Meu sogro sempre disse que só se deve vender para povo. Povo compra pouco, mas compra e paga. E quanto mais barato você vende, mais ganha. Aos poucos, mas sempre. Foi assim que, há quase quatro décadas inovou, vendendo retalhos de tecidos por quilo, pelo interior do estado de São Paulo. Eram, por certo, outros tempos. As pessoas faziam suas próprias roupas, não havia essa invasão do prèt-a-porter e ele levava os retalhos e uma balança às fazendas da região aos domingos, em kombis pink (!)… Era um pioneiro do marketing…
Digo isto porque aparentemente, a crise não chegou às lojinhas de R$ 1,99.
O que me mostra que, mesmo em outros tempos, os conceitos do Dr. Achiles continuam em vigor… Ainda mais depois da prisão da dona da Daslu

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Perdão, mas não pude resistir… É que hoje saiu mais um índice a respeito da economia brasileira: nosso PIB, tadinho, caiu 3,6% no 4o. trimestre. Uma queda histórica, já que é a maior desde 1996, quando este índice começou a ser calculado. O que de fato me chama a atenção na notícia, entretanto, não é o fato em si. Todos os dias, várias vezes ao dia, recebemos informações sobre diversos índices – algumas positivas, outras negativas. São tantas, aliás, que duvido que o cidadão comum tenha a mais ligeira idéia do que representam…

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O que de fato me impressionou foram duas coisas. A primeira, o tratamento da notícia, dando pleno destaque à queda de 3,6% e ressaltando que se trata de um recorde negativo, ao mesmo tempo em que menciona o crescimento da economia como um todo em 2008 (5,1%) e que o próprio resultado do trimestre – mesmo negativo – representou uma expansão em comparação com o mesmo período do ano anterior.
Ora, veja… O que é mais importante? Termos fechado um ano catastrófico com crescimento? Termos um resultado desastroso no último trimestre do ano? Termos um resultado melhor, no último trimestre, do que no mesmo período de 2007? Vá lá saber… Por conta disto, a depender de quem fale, qualquer afirmação será verdadeira…
A outra coisa curiosa é que a tal queda só é a maior desde 1996 porque o índice começou a ser calculado em 1996… Desta forma, ninguém nos garante que, de fato, ela não seja a maior desde 1987, ou 1966, ou 1932, ou 1849… Isto me espanta quase tanto quanto o fato de que o tal índice só exista desde 1996. Como será que sobrevivemos tanto tempo sem ele???? Ou como será que eles mediam o crescimento ou queda da economia antes de 1996? Certamente os economistas e administradores de plantão saberão explicar em detalhes o minucioso processo de análise que leva o Ministério da Fazenda a parir um número. Por mim, prefiro imaginar o Ministro ligando para o Juvenal, motorista de táxi, e perguntando “E aí, Juvenal, como anda a praça?” para ouvir em resposta “Ih, Ministro, tá o cão chupando manga…” Momentos depois, o Ministro consulta sua tabela pessoal e verifica que “cão chupando manga” corresponde a queda entre 3 e 5% e tasca um 3,6% para ser conservador…
Não tenho nada contra economistas, mas me irrita o fato de tratarem economia como ciência exata quando, a cada dia, acontece alguma coisa que desanca todas as previsões altamente técnicas feitas dias antes. Certo estava Keynes, que, quando perguntado sobre o que aconteceria a longo prazo, segundo sua teoria, respondeu: “A longo prazo, estaremos todos mortos…”

Para começo de conversa, deveria ser todo dia. Elas já cumprem tripla jornada de trabalho, sofrem todo o tipo de pressão da sociedade para se apresentarem cada vez mais magras, maravilhosas, charmosas e sorridentes mas, compensação, que é bom, nada – à exceção, talvez, de um botão de rosa, hoje.
É bom lembrar que pelo menos 30% das mulheres no Brasil, hoje, são as chefes da família. Delas depende o sustento dos filhos, sua formação. Também não podemos esquecer que as mulheres ganham, em média, 28% menos que os homens para exercer a mesma função – na grande maioria dos casos, exercendo-a muito melhor.
Os empresários defendem essa redução dizendo que a mulher é uma profissional mais cara: engravida, tem direito a licença e quando volta tem direito a amamentar seu filho. Só não comentam da sua produtividade – que normalmente é superior à dos homens – e compensa de sobra estes períodos de ausência. Diga-se, aliás, que em outros países – mais conscientes – essa licença beneficia também os homens. Ou criança não precisa de pai?
Como se vê, mais muda, mais a situação permanece a mesma.
A mesma, não. As mulheres também aprenderam a lutar por seus direitos. Hoje, há diversas associações, ONGs, entidades que lutam pela defesa da mulher.
A grande maioria delas é presidida e administrada por mulheres. Claro, se você quer alguma coisa feita – e bem feita – peça a uma mulher. Porque, se pedir a um homem, ele vai dizer que faz, sim. Amanhã.

Serão 365 posts. Às vezes, diários, às vezes mais de um no mesmo dia, às vezes com uma frequência (cês perceberam que não usei trema?) mais, digamos, irregular. Porque tudo vai depender do tempo, do trabalho, do Barthô, do ânimo, do assunto…
Por enquanto, ainda está em construção, mas já, já começamos…