Até o momento, são mais de 25 mil pessoas que perderam tudo – casas, eletrodomésticos, memórias, documentos – e quase 800 mortos. Não vou começar, mais uma vez, a discussão sobre os culpados. É inútil, por se tratar de um círculo vicioso – as autoridades culpam a população, que constrói em áreas de risco não permitidas; a população culpa o governo, dizendo não ter condições nem subsídios para construir em outro lugar; a defesa civil, diz que tudo poderia ter sido previsto e os institutos meteorológicos dizem ter feito o alerta e ninguém teria se dado conta…
O tempo e a vontade política vão se encarregar de colocar a situação nos eixos. De repente, as autoridades chegaram à conclusão de que não podemos passar por isso de novo… Meu medo é só que o melhor comece a brigar com o bom, como de costume: é melhor fazer um plano nacional para alerta de desastres – o que levaria muito mais tempo e demandaria muito mais recursos – do que implantar planos regionais, mais rápidos, baratos e, dizem os técnicos, mais eficazes, já que entrariam em uso de imediato e poderiam fazer parte de uma rede nacional, no futuro…
Tudo isto é arrasador, deixa um gosto amargo na boca e uma pergunta solta no ar: por que somos solidários somente na desgraça? Pior, por que personalidades que deveriam dar o exemplo acabam utilizando a tragédia para aparecer na TV, compungidos, sem mexer um dedo em favor das vítimas?
Claro, há exceções. Petkovic, por exemplo, um dos pouquíssimos jogadores de futebol a se mobilizar e usar sua popularidade para angariar alimentos, artigos de higiene, um caminhão de doações e que na curtíssima entrevista que deu mostrou, pelo exemplo, que todos poderíamos fazer alguma coisa e que, por menos que fosse, seria uma ajuda.
Por outro lado, temos os exploradores de plantão. “Celebridades” cujo objetivo de vida é ter mais seguidores no twitter e que não mede esforços para usar o tema que estiver mais em evidência para seu próprio benefício.
A estes, meu sincero desejo de que prestem um pouco mais de atenção aos noticiários, percebam o sofrimento e desamparo dos vitimados e passem a fazer mais pelo seu próximo.

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