Não dá para esquecer.

Ontem, morreu Tânia, uma jovem portuguesa que aguardava, desde o ano passado, por um coração para transplante. Seu caso, graças à ação dos amigos, ultrapassou fronteiras, uniu pessoas que não se conheciam, gerou posts, fotos, campanhas. Mesmo assim, o coração não veio, sua condição foi gradualmente piorando até o desfecho em que nenhum de nós queria crer.
Um pouco mais de consciência, de generosidade, de compreensão, poderiam tê-la salvo. Porque não entendo o que leva uma pessoa a não permitir a doação de seus órgãos após a morte.
Apesar dos progressos, ainda há muito por fazer para aprimorar o processo de recolhimento de possíveis doações. Há, ainda, inúmeros casos de pessoas que desejam doar seus órgãos e não comunicam às suas famílias, demora no aviso às equipes encarregadas de recolher os órgãos, impossibilitando sua utilização e, principalmente, a própria recusa em si.
Deve ser o medo atávico de se ver ressuscitado faltando pedaços, no dia do Juízo Final…
Tânia tinha uma chance. Poderia ter sobrevivido, ao invés de morrer aos 26 anos de idade. Mesmo assim, não culpa ninguém, só agradece – é, ela escreveu uma mensagem para ser postada após sua morte.
E tinha razão: não precisamos ser a pior raça à face da terra. Basta um pouquinho mais de consciência e generosidade…

Tenho que dar a mão à palmatória… Meu sogro sempre disse que só se deve vender para povo. Povo compra pouco, mas compra e paga. E quanto mais barato você vende, mais ganha. Aos poucos, mas sempre. Foi assim que, há quase quatro décadas inovou, vendendo retalhos de tecidos por quilo, pelo interior do estado de São Paulo. Eram, por certo, outros tempos. As pessoas faziam suas próprias roupas, não havia essa invasão do prèt-a-porter e ele levava os retalhos e uma balança às fazendas da região aos domingos, em kombis pink (!)… Era um pioneiro do marketing…
Digo isto porque aparentemente, a crise não chegou às lojinhas de R$ 1,99.
O que me mostra que, mesmo em outros tempos, os conceitos do Dr. Achiles continuam em vigor… Ainda mais depois da prisão da dona da Daslu…

Perdão, mas não pude resistir… É que hoje saiu mais um índice a respeito da economia brasileira: nosso PIB, tadinho, caiu 3,6% no 4o. trimestre. Uma queda histórica, já que é a maior desde 1996, quando este índice começou a ser calculado. O que de fato me chama a atenção na notícia, entretanto, não é o fato em si. Todos os dias, várias vezes ao dia, recebemos informações sobre diversos índices – algumas positivas, outras negativas. São tantas, aliás, que duvido que o cidadão comum tenha a mais ligeira idéia do que representam…

O que de fato me impressionou foram duas coisas. A primeira, o tratamento da notícia, dando pleno destaque à queda de 3,6% e ressaltando que se trata de um recorde negativo, ao mesmo tempo em que menciona o crescimento da economia como um todo em 2008 (5,1%) e que o próprio resultado do trimestre – mesmo negativo – representou uma expansão em comparação com o mesmo período do ano anterior.
Ora, veja… O que é mais importante? Termos fechado um ano catastrófico com crescimento? Termos um resultado desastroso no último trimestre do ano? Termos um resultado melhor, no último trimestre, do que no mesmo período de 2007? Vá lá saber… Por conta disto, a depender de quem fale, qualquer afirmação será verdadeira…
A outra coisa curiosa é que a tal queda só é a maior desde 1996 porque o índice começou a ser calculado em 1996… Desta forma, ninguém nos garante que, de fato, ela não seja a maior desde 1987, ou 1966, ou 1932, ou 1849… Isto me espanta quase tanto quanto o fato de que o tal índice só exista desde 1996. Como será que sobrevivemos tanto tempo sem ele???? Ou como será que eles mediam o crescimento ou queda da economia antes de 1996? Certamente os economistas e administradores de plantão saberão explicar em detalhes o minucioso processo de análise que leva o Ministério da Fazenda a parir um número. Por mim, prefiro imaginar o Ministro ligando para o Juvenal, motorista de táxi, e perguntando “E aí, Juvenal, como anda a praça?” para ouvir em resposta “Ih, Ministro, tá o cão chupando manga…” Momentos depois, o Ministro consulta sua tabela pessoal e verifica que “cão chupando manga” corresponde a queda entre 3 e 5% e tasca um 3,6% para ser conservador…
Não tenho nada contra economistas, mas me irrita o fato de tratarem economia como ciência exata quando, a cada dia, acontece alguma coisa que desanca todas as previsões altamente técnicas feitas dias antes. Certo estava Keynes, que, quando perguntado sobre o que aconteceria a longo prazo, segundo sua teoria, respondeu: “A longo prazo, estaremos todos mortos…”
Para começo de conversa, deveria ser todo dia. Elas já cumprem tripla jornada de trabalho, sofrem todo o tipo de pressão da sociedade para se apresentarem cada vez mais magras, maravilhosas, charmosas e sorridentes mas, compensação, que é bom, nada – à exceção, talvez, de um botão de rosa, hoje.
É bom lembrar que pelo menos 30% das mulheres no Brasil, hoje, são as chefes da família. Delas depende o sustento dos filhos, sua formação. Também não podemos esquecer que as mulheres ganham, em média, 28% menos que os homens para exercer a mesma função – na grande maioria dos casos, exercendo-a muito melhor.
Os empresários defendem essa redução dizendo que a mulher é uma profissional mais cara: engravida, tem direito a licença e quando volta tem direito a amamentar seu filho. Só não comentam da sua produtividade – que normalmente é superior à dos homens – e compensa de sobra estes períodos de ausência. Diga-se, aliás, que em outros países – mais conscientes – essa licença beneficia também os homens. Ou criança não precisa de pai?
Como se vê, mais muda, mais a situação permanece a mesma.
A mesma, não. As mulheres também aprenderam a lutar por seus direitos. Hoje, há diversas associações, ONGs, entidades que lutam pela defesa da mulher.
A grande maioria delas é presidida e administrada por mulheres. Claro, se você quer alguma coisa feita – e bem feita – peça a uma mulher. Porque, se pedir a um homem, ele vai dizer que faz, sim. Amanhã.


